




Para a observação em grupo das obras do Inhotim escolhemos os trabalhos de Janert Cardiff, em especial sua obra em conjunto com George Bures Miller, The Murder of Crowns (o assassinato dos corvos). Na obra Janet retrata um pesadelo por meio de ruídos que saem de 98 caixas de som espalhados por todo o galpão. O que difere o trabalho da artista de uma reprodução acústica normal é o fato de cada caixa emitir um som em um determinado instante, dando noção de espacialidade a quem está escutando. Chegamos em um galpão que, além das caixas, possui cadeiras de madeira localizadas no seu centro e somos convidados a nos sentar e apreciar a narrativa. À medida que escutamos os sons nos conectamos com a história de modo que podemos criar em nossas mentes o cheiro e o local que Janet descreve. O extraordinário dessa obra é que cada um tem sua própria experimentação do pesadelo de Janet: cada pessoa recebe os sons de maneira única, por estarem sentados em cadeiras diferentes e perceberem os sons diferentemente. Sendo assim, a narrativa nunca se repete.

A deriva é um dos procedimentos para estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. É pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.
Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total.
Essas idéias, formuladas pela Internacional Situacionista entre as décadas de 1950 e 1970, levam em conta que o meio urbano em que vivemos é um potencializador da situação de exploração vivida. Sendo assim torna-se necessário inverter esta perspectiva, tornando a cidade um espaço para a libertação do ser humano.

