sábado, 2 de outubro de 2010

Escolha do Grupo: Janet Cardiff

Para a observação em grupo das obras do Inhotim escolhemos os trabalhos de Janert Cardiff, em especial sua obra em conjunto com George Bures Miller, The Murder of Crowns (o assassinato dos corvos). Na obra Janet retrata um pesadelo por meio de ruídos que saem de 98 caixas de som espalhados por todo o galpão. O que difere o trabalho da artista de uma reprodução acústica normal é o fato de cada caixa emitir um som em um determinado instante, dando noção de espacialidade a quem está escutando. Chegamos em um galpão que, além das caixas, possui cadeiras de madeira localizadas no seu centro e somos convidados a nos sentar e apreciar a narrativa. À medida que escutamos os sons nos conectamos com a história de modo que podemos criar em nossas mentes o cheiro e o local que Janet descreve. O extraordinário dessa obra é que cada um tem sua própria experimentação do pesadelo de Janet: cada pessoa recebe os sons de maneira única, por estarem sentados em cadeiras diferentes e perceberem os sons diferentemente. Sendo assim, a narrativa nunca se repete.
Cardiff e Miller queriam, ao espacializar sua narrativa, dar ao espectador a sensação de estar no lugar de alguém fora da platéia, para que pudessem sentir cada som mais intensamente. Isso de fato ocorre. Durante e depois da narrativa seu corpo sente arrepios, fica tenso como se o sonho fosse real, nosso peito se enche de uma sensação ruim que pode ser confundida com o que a autora do pesadelo sente. Somos várias vezes incapazes de manter os olhos fechados, tão grande é a sensação de que há alguém caminhando ao seu lado.

domingo, 19 de setembro de 2010

FAD - Festival de Arte Digital

No dia 3 fui com alguns colegas ver as performances do FAD (Festival de Arte Digital), apresentadas no museu Oi Futuro, no qual artistas que trabalhavam com projeções ligadas à música eletrônica, Todas as performances foram muito interessantes, mas duas me chamaram mais a atenção:
Fernando Velazques e Francisco Lapetina apresentaram Library, obra inspirada na pas
ta library do software do computador. Eles projetavam fragmentos de imagens de livros, enquanto os sons remetiam páginas passando rapidamente, como se estives
sem sendo folheadas e fragmentos de frases. O mais interessante foi que a todo momento tentávamos, por instin
to, ler o que estava sendo passado nos fragmentos, mas a apreciação se dá quando paramos de nos concentrar em palavras que não fazem tanta diferença e ligamos somente a parte visual com os ruídos. No final ele No final eles mostram fragmentos agora legíveis que falam justamente de não entender o que está escrito, mas sim o que está sendo passad
o, que é a intenção das projeções.
Outro artista que me chamou muito a atenção foi Nosaj Thing, dos Estados Unidos, que apresentou Visual Show. Nosaj foi o único performista que de fato interagiu com suas projeções, o que deu um bônus à apresentação. A parte visual era simples, sem rebuscamento, imagens muito detalhadas ou fotos. Ele usou bastante a combinação do Preto e Branco, que acabou refinando seu trabalho. Ao mesmo tempo que as formas passavam sobre sua mesa e seu corpo, o artista fazia sons eletrônicos com seus equipamentos que em conjunto se transformavam em uma música extremamente convidativa. Além disso, vozes de alguns cantores ao final da apresentação elevaram a qualidade da música, fazendo um desfecho incrível. O único ponto a ser criticado seria a duração da performance, que depois de mais de quarenta minutos passa a ser cansativa.


domingo, 12 de setembro de 2010

Teoria da Deriva

A deriva é um dos procedimentos para estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. É pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.

Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total.

Essas idéias, formuladas pela Internacional Situacionista entre as décadas de 1950 e 1970, levam em conta que o meio urbano em que vivemos é um potencializador da situação de exploração vivida. Sendo assim torna-se necessário inverter esta perspectiva, tornando a cidade um espaço para a libertação do ser humano.

Flâneur - Vendo a cidade com outros olhos

O termo Flâneur vem do substantivo masculino em francês flâneur, que tem o significado básico de "andarilho", "vadio", que por sua vez vem do verbo francês flaner, que significa "a passeio". Charles Baudelaire desenvolveu um significado derivado do flâneur, que é "uma pessoa que caminha pela cidade, a fim de experimentá-la". Flâneur não se limita a alguém cometer o ato físico de passeio peripatético, no senso Baudelairiano, mas também pode incluir uma "maneira filosófica e completa de viver e pensar".
O flâneur é a figura que caminha tranqüilamente pelas ruas, observando cada detalhe, sem ser notado, sem se inserir na paisagem.




O conceito de flâneur também se tornou significativa na arquitetura e urbanismo para descrever aqueles que são afetados de forma indireta e involuntariamente por um desenho especial, uma forma inesperada,apenas na experiência da passagem.

sábado, 11 de setembro de 2010

Flash Mob - Ocupação instantânea

Flash Mob é uma aglomeração instantânea de pessoas em um espaço público (previamente organizada por meio de SMS ou da Internet) para fazer algo inusitado, chocando pedestres desprevenidos. A desocupação do espaço é tão rápida quanto sua ocupação e as performances duram poucos minutos.
No início os flash mobs eram espontâneos e só tinham como objetivo o puro entretenimento.
Hoje eles passam por estratégias de marketing, tentativas de mudar comportamentos e críticas à política.
A empresa T-Mobile, por exemplo, promove ações divertidas e inusitadas envolvendo música. Aqui está o vídeo de uma performance em Liverpool:
Aqui um vídeo da imensa ocupação da Trafalgar Square, praça mais importante de Londres:

Essa forma de apropriação já se tornou tão popular que hoje podemos encontrar sites como o
http://www.flashmob.co.uk/ , que nos informa sobre a organização de performances futuras.