



A deriva é um dos procedimentos para estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. É pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.
Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total.
Essas idéias, formuladas pela Internacional Situacionista entre as décadas de 1950 e 1970, levam em conta que o meio urbano em que vivemos é um potencializador da situação de exploração vivida. Sendo assim torna-se necessário inverter esta perspectiva, tornando a cidade um espaço para a libertação do ser humano.


O Parkour nasceu na França com os jovens Sébastien Foucan e David Belle. Consiste em ir de um ponto a outro atravessando obstáculos da maneira mais rápida e eficiente possível, gastando o mínimo de esforço. Os movimentos devem ser harmônicos, de forma que os obstáculos sejam quase como parte do seu próprio corpo.
Originada de treinamentos de guerra ( por parte de David Belle) e de brincadeiras infantis ( da infância de Sébastien), a prática do Parkour se difundiu a partir da década de 90 e desde então tem se tornado popular entre os jovens de todo o mundo. Não é considerado um esporte, uma vez que não há com quem competir, a não ser seu próprio corpo. Seus praticantes o definem como uma disciplina de vida, uma maneira de controlar a mente e os movimentos do corpo.

Jump London é um documentário feito em 2003 que mostra a experiência de jovens franceses (entre eles Foucan, um dos fundadores do Parkour) nos telhados de uma cidade até então inusitada: Londres.
Will Asop, um arquiteto londrino, quando questionado no documentário sobre o Parkour nos edifícios históricos da cidade, diz: O que mais gosto nisso tudo é a corrosão do uso original dos prédios. Eles foram originados para exercer certo trabalho e o telhado nunca antes foi visto como elemento funcional.
Aqui está parte do documentário, onde podemos ver opiniões de arquitetos sobre a apropriação do espaço que construíram de uma maneira que nunca haviam imaginado:
http://www.youtube.com/watch?v=tWJiMJ5Wn2g&feature=related
E aqui, finalmente, o espetáculo nos prédios londrinos, em 16 de junho de 2003:
http://www.youtube.com/watch?v=aXjm62qlyLE&feature=related
Com a difusão do Parkour também foram criadas novas maneiras de apropriação. Aqui está uma forma alternativa da prática, filmada para a campanha publicitária de uma bebida energética, onde jovens usam de escadas para escalar prédios, mas não da maneira que todos conhecemos.